22/07/2022

Uma “transformação na continuidade, uma atualização sem deixar de reconhecer a alma da cidade, que é o Bolhão”. Foi assim que o autor do projeto de recuperação do mercado, Nuno Valentim, definiu a obra, depois de uma visita guiada, esta quinta-feira, que contou com a presença do presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, e da vice-presidente da GO Porto, Cátia Meirinhos.


“Ao longo de todo este tempo, fui visitando a obra bastantes vezes. Agora, que a vemos pronta, fica-se com um brilhozinho nos olhos”, confessou o autarca, depois de abrir, simbolicamente o portão que dá entrada, a sul, ao Mercado do Bolhão, pela Rua Formosa.


Num espaço completamente renovado, com novas bancas, as ruas de sempre dentro do Mercado (ruas da Vitória, da Alegria, da Aliança, das Virtudes, do Paraíso, dos Abraços, da Piedade, da Graciosa, da Liberdade, da Glória e do Encontro), as duas novas praças nos topos térreos do edifício (as praças da Formosa, a sul, e do Metro, a norte, na base da escada monumental), Rui Moreira garantiu que estão salvaguardados os patrimónios do Bolhão: “Um, arquitetónico e de índole cultural. Quero felicitar o arquiteto Nuno Valentim, uma escolha pessoal, pelo projeto. Depois, a parte imaterial, que valorizamos muito. É esta conjugação que faz o Bolhão”.


Após a apresentação da marca Bolhão, e com a empreitada concluída, só falta mesmo o regresso dos comerciantes a um sítio que tão bem conhecem. Como reconheceu o presidente da Câmara do Porto, esta foi a etapa mais difícil, o de “reconquistar a sua [dos comerciantes] confiança”. “Eles tinham muitas razões para suspeitar. É bom lembrar que quiseram fazer aqui centros comerciais. Por isso, conquistar a sua confiança foi vital. Foi conseguido”, sublinhou.


“Eles merecem isto tudo. Foram eles que aguentaram o Bolhão, sem as mínimas condições. O mercado só existia porque os comerciantes não queriam ir embora daqui. Não fosse isso e ele tinha acabado”, acrescentou.



Cave logística é a grande novidade


Durante a visita guiada foram reveladas as grandes novidades em termos arquitetónicos e de toda a operação logística do Mercado do Bolhão. Sobre esta, e tal como anunciou a vice-presidente da GO Porto, Cátia Meirinhos, no mercado vão existir 81 bancas, das quais 59 são pertença de comerciantes históricos. Na galeria, dos 10 restaurantes, sete serão novos. Já na parte exterior, haverá 38 lojas, das quais 26 são de comerciantes históricos do Bolhão.


Há também mais oferta de produtos, uma vez que, segundo Cátia Meirinhos, os comerciantes "estavam restringidos a uma licença". "Foi feito um trabalho a nível de alargamento desses produtos e de 22 categorias, para cada um poder ter a sua oferta alargada, ficando disponíveis quase 4.500 produtos", sublinhou.

A gestão da empreitada foi assegurada pela GO Porto e correspondeu a um investimento municipal superior a 22,3 milhões de euros. A empresa municipal ficará também com a gestão do mercado, quando o equipamento reabrir, a 15 de setembro.


A principal novidade recai sobre a cave logística, que, no subsolo, ocupa todo o miolo do edifício com câmaras frigoríficas, armazéns, produção de gelo e um espaço destinado às cargas e descargas. Contempla ainda uma zona de balneários e outra de separação e tratamento dos resíduos. “Uma cave feita sem ocupação de espaço público”, assinalou o arquiteto Nuno Valentim.


“Os visitantes vão ficar surpreendidos”


Em termos arquitetónicos, o autor do projeto realçou “a grande abertura e acessibilidade que o mercado ganhou em relação à cidade, não só pela ligação ao metro, pela nova ponte de passagem sobre as bancas dos comerciantes e com ligação direta entre as ruas de Sá de Bandeira e Alexandre Braga, mas também pela acessibilidade em geral, através dos elevadores, que não existiam”.


Acessibilidade facilitada a pessoas com mobilidade reduzida, as novas coberturas das bancas, ou a manutenção do criptopórtico do viaduto de Sá da Bandeira, visível num dos cantos do mercado e datado da primeira metade do século XIX, são outras das grandes novidades do Mercado do Bolhão.


Edifício histórico, duplamente classificado, pela sua arquitetura mas também pela sua atividade, o projeto de recuperação do mercado teve, nas palavras de Nuno Valentim, uma única preocupação: “A transformação na continuidade, uma atualização, modernização sem deixar de reconhecer a alma da cidade que é o Bolhão”.


“Os visitantes vão ficar surpreendidos com a qualidade original, identitária que o Bolhão sempre teve e que estava encoberta. O projeto ajudou a destapar e a ler esses valores. Por exemplo, o do perímetro da praça original do mercado, a cobertura em ardósia, que tinha desaparecido, o voltar a ter uma relação com os vendedores e os produtos”, acrescentou.

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